Aqui tem um rio, na verdade um riacho,
Estamos no abandono, no puro relaxo,
Esquece, não desce, na prece o diacho,
Muita sujeira, imundice e muito despacho,
Na vida pela vida, é nessa que me encaixo,
Amigo, inimigo, trabalhador e vagabundo,
Preto, branco, aqui é todo mundo,
Mistura racial, do poço o mais fundo,
Se a limpeza é a beleza, aqui é o imundo,
No pior dos sentimentos, aquele mais profundo,
O medo, o dedo, a mira do gatilho,
Cuidado meu irmão, eduque o seu filho,
Dignidade é o tom, comida é o milho,
Farinha do pão, o mesmo que partilho,
A fé é necessária, como nos olhos o brilho,
Viver é não temer a realidade,
A mentira é o tom, a nossa verdade,
Não fale, fique quieto, na sinceridade,
Os olhos são boca, na aparência sem vaidade,
No relatório a certeza, da criminalidade,
É mano, somos manos, brother ou irmão,
Se a linguagem é o tom, vai da imaginação,
Entenda, perceba, depende da visão.
Resolver ou enganar, qual a solução?
Da verdade a mentira, da realidade a ação,
Liberado pecar, liberado viver,
Aqui é proibido, não saber o que fazer,
Causa e conseqüência, ignorância é não ler,
Nossa realidade, a pobreza é o poder,
O medo é a base, a quem quiser sobreviver